Por quê meu corpo é diferente da mamãe e do papai?

Imagem da Cartilha de Orientação Sobre Sexualidade e Deficiência Sexual, do Instituto Mara Gabrilli 

Em casa sempre tivemos o hábito do banho compartilhado com a Tereza, desde bem novinha. Como passo muito tempo com ela, a companhia ao ir ao banheiro também é algo absolutamente normal e rotineiro para nós.

Há alguns meses, Tereza começou a perceber as diferenças entre seu corpo e o nosso e as diferenças em homens e mulheres. Com isso, começaram a surgir milhões de perguntas e comentários (alguns extremamente engraçados… Rsrs).

Sempre agimos com naturalidade e tentamos explicar de forma fácil, de acordo com a idade dela, para que ela entenda as diferenças.

Porém, sei que para muita gente, falar sobre o próprio corpo e sobre a sexualidade com seus filhos ainda é um grande tabu.

Pensando nisso, pedi orientação à querida Fernanda Guilardi Sodelli, psicóloga e mãe do Bruno e da Bianca. A Fernanda tem bastante experiência no assunto e é autora da Cartilha de Orientação Sobre Sexualidade e Deficiência Intelectual, do Instituto Mara Gabrilli (que está disponível gratuitamente para download).

Sexo e Sexualidade, vamos conversar?

Sempre que o assunto Sexo/Sexualidade aparece em uma conversa em casa, causa aquele desconforto. A mãe tem vontade de sair de cena, o pai vai beber uma água. Calma lá!

Naturalidade e leveza neste momento.

É preciso perceber que o tema deve ser tratado de forma natural desde a infância. Falar sobre o próprio corpo, esclarecer as dúvidas e poder conversar abertamente sobre o assunto são fatores que ajudam a viver uma sexualidade saudável, durante toda a vida.

Por volta dos 2 anos, a criança percebe se é do sexo feminino ou masculino e, no contato com os adultos ao seu redor e pela mídia, aprende o que é ser menino ou menina em sua sociedade – e, claro, tem contato com os rótulos associados a eles.

Meu corpo, seu corpo…

Entre 3 e 5 anos, as crianças percebem as diferenças entre o corpo do homem e da mulher.

Elas observam seus próprios corpos e as diferenças entre os corpos de pessoas do seu convívio. Normalmente, em uma situação cotidiana, de troca de roupa ou de banho, a criança faz algumas perguntas ou expressa alguma opinião. Os pais devem agir com naturalidade e acolher a curiosidade infantil.

Imagem da Cartilha de Orientação Sobre Sexualidade e Deficiência Intelectual, do Instituto Mara Gabrilli 

E a hora do banho???

Os pais que tem por hábito tomar banho com seus pequenos, sempre questionam o momento de “não fazer mais isso”. Alguns pontos são importantes: A família concorda com esse ritual? Acha que o banho pode ser um bom momento de convivência e intimidade? Então deve manter esse momento em sua rotina até a “hora” em que o pai/mãe começar a sentir certo constrangimento ou a criança sinalizar que gostaria de “privacidade” nesta hora.

As conversas que surgirem nos banhos compartilhados devem ser respondidas da maneira mais natural possível.

“Se os pais ficam constrangidos, a criança irá perceber e, aí sim, poderá começar a criar um determinado tabu”. Falar é mais indicado do que omitir. E não tem problema a mãe tomar banho com o filho ou o pai tomar banho com a filha.

É extremamente importante que pais conversem e esclareçam as dúvidas das crianças, desde pequenas.

Em um site da internet, existe a seguinte pergunta: Existe algum truque para falar sobre sexualidade com seus filhos? E ai vai a resposta: “Claro que sim. O truque é manter-se firme, jamais inventar ou mentir, não evadir-se da pergunta, e não responder mais do que seu filho perguntar. O ideal é falar-lhe de sexo em conta-gotas, ou seja, à medida que sua curiosidade, segundo a idade que tenha.”

Uma atenção especial para o que a criança está perguntando. Muitas vezes os pais ficam perdidos e acabam respondendo “demais”, muita além do que a criança está preparada para entender.

É unanimidade entre os especialistas da área da saúde e educação que a educação sexual começa na infância e, desde as primeiras demonstrações de interesse do filho, os pais devem se mostrar abertos a essa conversa. Esta abertura para o dialogo franco vai permitir que a criança tenha, desde cedo, uma boa estrutura e segurança para uma futura vida sexual mais segura.”

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